Compartilhar, , Google Plus, Pinterest,

Imprimir

70 anos de Paulo e Estevão

Antonio Cesar PerriAntonio Cesar Perri, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, proferiu palestra sobre “Paulo e Estevão”, no Centro Espírita União, no último 26 de março, sobre os 70 anos do romance psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 1941, concluído em  no dia 8 de julho, quando Emmanuel assinou “Breve Notícia”,na apresentação da obra.

Antes de iniciar a palestra, Cesar Perri destacou a “amizade verdadeira” de Nena e Francisco Galves com Chico Xavier, relembrando as inúmeras vezes em que hospedaram o médium em sua residência, em São Paulo. “É sempre uma grande alegria voltar ao Centro União, onde Chico também esteve em tantas noites de autógrafo, onde recebia a todos com tanto carinho”, destacou.

Iniciando sua exposição, numa didática de perguntas e respostas sobre a obra, foi logo citando um episódio histórico e curioso: o livro foi psicografado por Chico Xavier numa saleta térrea da casa do Dr. Rômulo Joviano, na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo (MG). “Por uma deferência do então administrador da fazenda e chefe de Chico Xavier, este foi contemplado com a oportunidade de utilizar a referida sala nos intervalos das refeições, evitando que se deslocasse até sua residência, que era muito longe. Este episódio e, pelo fato dessa fazenda ter sido o local de trabalho do então funcionário do Ministério da Agricultura e também pela frequência assídua do médium à reunião semanal do “Evangelho no lar” na residência de Joviano, a Universidade Federal de Minas Gerais, atual responsável pela fazenda, criou o Espaço Cultural Chico Xavier, em  parceria com a  FEB e a União Espírita Mineira.

O livro Paulo e Estevão teve sua primeira edição lançada em 1942
O livro Paulo e Estevão teve sua primeira edição lançada em 1942

O livro Paulo e Estevão teve sua primeira edição lançada em 1942, tendo Emmanuel como autor espiritual que, conforme salientou o palestrante, relatava uma antiga história, da qual havia participado indiretamente na época de sua reencarnação como o senador romano Publio Lentulus. “Quando falamos do autor espiritual Emmanuel, devemos lembrar que sua trajetória está descrita através de romances históricos, mas quando ele descreve os episódios  já não é mais aquele personagem, mas o conjunto de todas as suas reencarnações, analisando portanto aqueles fatos não com a visão da época, mas  com  a atual, sem paixão, com uma ótica muito mais apurada. E isso é muito importante para. E isso é muito importante, pois além da isenção, há o caso da evolução espiritual, de uma compreensão mais ampla.”E é interessante que o Livro Paulo e Estevão é o único livro da série de romances em que ele não é personagem. Nos outros romances, ele está presente, mas neste não. Ele faz uma homenagem a Paulo e a Estevão.

Passados 70 anos de seu lançamento, o romance de Emmanuel é considerado, a obra-prima da psicografia de Chico Xavier e, dentre seus livros mediúnicos, coloca-se entre os mais editados pela FEB. “Esse livro traz grande contribuição para o entendimento das movimentações iniciais dos seguidores do Cristo os “Homens do Caminho”, depois chamados cristãos”, explicou Perri. 

Lembrou que a obra permite  entender a profundidade e a abrangência de Paulo de Tarso,  responsável pelo assentamento das bases do cristianismo em várias localidades do Império e na sua capital – Roma, citando o  texto “Breve Notícia”, que antecede e prepara o leitor para a obra Paulo e Estevão, onde Emmanuel esclareceu:

[…] não é nosso propósito levantar apenas uma biografia romanceada. […] Nosso melhor e mais sincero desejo é recordar as lutas acerbas e os ásperos testemunhos de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante. Estêvão faz juz por aparecer no título do livro, pois “sem Estêvão, não teríamos Paulo de Tarso. […] 

Um dos momentos mais interessantes da palestra de Cesar Perri foi a lembrança do esclarecimento de Emmanuel em outra obra sobre  um episódio curioso que o vincula a Paulo de Tarso, afirmando: […] Conheci-o, em Roma, nos seus dias de trabalho mais rude de provações mais acerbas. Vi-o uma vez unicamente, quando um carro de Estado transportava o senador Públio Lêntulus, ao longo da Porta Ápia, mas foi o bastante para nunca mais esquecê-lo. […] Trocamos algumas palavras que me deram a conhecer a sua inteireza de caráter e a grandeza de sua fé. O fato ocorria pouco depois da trágica desencarnação de Lívia e eu trazia o espírito atormentado”. 

A inspiração em Paulo é sempre valorizada por Emmanuel: “O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo”, ou ainda: “O Evangelho não nos diz que Paulo de Tarso fazia maravilhas, mas que Deus operava maravilhas extraordinárias por intermédio das mãos dele”.